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‘Desculpas por não ter pegado você’: técnico que ajudou em resgate reencontra advogada e a mãe dela após incêndio

fev 9, 2026


Técnico que ajudou em resgate se emociona ao reencontrar advogada e a mãe dela
O Fantástico acompanhou o reencontro entre a advogada que sobreviveu a incêndio em um prédio no Paraná e o técnico que ajudou no resgate. O encontro aconteceu meses depois do acidente, quando Juliane já estava em fase de recuperação.
Emocionado, Lincoln pediu desculpas por não ter conseguido salvá-la naquele momento. Veja no vídeo acima.
“Eu tentei pegar você […] Desculpa por não ter pegado você”, disse.
Juliane agradeceu e destacou a importância da atitude do técnico.
“Imagina, muito obrigada. Você salvou a minha mãe”.
Um dos momentos mais marcantes do incêndio foi a conversa entre Juliane, que estava sobre o suporte do ar-condicionado, e Lincoln, que se posicionou na janela do apartamento do andar de baixo, com o corpo para fora, tentando ajudá-la. Juntos, eles conseguiram salvar a vida de Sueli.
“Muito obrigada. Eu devo a minha vida a ele e a minha filha. Porque pra mim a gente ia morrer queimado ali”, afirma Sueli.
Advogada que sobreviveu a incêndio com queimaduras em 63% do corpo fala sobre recuperação e próximos passos
Técnico que ajudou em resgate reencontra advogada após incêndio
Reprodução/TV Globo
O resgate da família
A advogada conta que recorda de todos os momentos daquele 15 de outubro, inclusive de ter acordado com os gritos do primo Pietro, de 4 anos, que já avisava do fogo.
As chamas começaram na cozinha e se espalharam pelo imóvel, que ficava no 13º andar do prédio. Além de Juliane e do primo, a mãe da advogada, Sueli, também estava no imóvel.
“Quando eu saí do quarto, eu já vi que tinha um fogo grande. O Pietro estava do outro lado do fogo, peguei ele no colo, tentei sair pela única saída, a saída principal, mas ela estava trancada”, ela lembra.
Impossibilitada de sair pela porta, Juliane subiu no suporte de ar-condicionado do apartamento e colocou o primo na janela do apartamento de baixo. “Falei para ele: ‘fica quietinho e segura na redinha [de proteção].’ E assim ele obedeceu. E, por obra divina, a moradora do apartamento resolveu abrir a janela.”
A moradora do apartamento do andar de baixo era Seliane, que havia saído de casa, mas voltou para pegar uma bolsa. Num impulso, ela decidiu abrir a janela. “u abro a janela não sei por quê, não consigo explicar por quê. E a criança estava aqui, toda escura, cheia de fumaça.”
O técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e o pedreiro Tiago Gomes, que estavam fora do prédio, correram para ajudar no resgate e salvaram Sueli.
Juliane diz que a mãe chegou a pensar que iria morrer, ao que ela respondeu: “Pula que eu te seguro”. A advogada conseguiu segurar Sueli por um tempo, até finalmente conseguir direcioná-la para um dos homens que ajudavam do lado de fora.
Juliane também tentou descer pelo suporte do ar-condicionado, mas não tinha apoio. Ela foi puxada de volta para o apartamento por um bombeiro. Na tentativa de sair do imóvel, Juliane e o sargento Ademar de Souza Migliorini foram atingidos pelas chamas. Ele chegou a ter queimaduras de terceiro grau e ficou internado por 5 dias.
O resgate da família
Reprodução/TV Globo
Tratamento e reabilitação
Juliane foi atendida na rede pública: primeiro em Cascavel e depois em Londrina, para onde foi levada de helicóptero em estado grave.
No Hospital Universitário de Londrina, ela ficou três meses na UTI. O hospital tem um centro com mais de 100 profissionais especializados e 16 vagas para pacientes. O caso de Juliane foi descrito como um dos mais complexos da história da unidade.
A cirurgiã plástica Xenia Tavares disse que a advogada chegou com queimaduras extensas, principalmente nos membros inferiores, e que a equipe precisou planejar como obter pele suficiente para os procedimentos.
Juliane passou por quase 20 procedimentos cirúrgicos, incluindo enxertos, transplante de pele e raspagem. Ela ficou mais de um mês em coma induzido, mas com apoio da equipe médica, passou a se recuperar.
Mas, mesmo após a alta, o tratamento continua. E os desafios, também.
“[Minha pele] Coça, está muito calor, eu preciso tomar mais de um banho, dois banhos, às vezes por dia. E é difícil porque eu só tomo banho com o auxílio da minha mãe, por hora, mas com as minhas fisioterapias diárias eu estou retomando os meus movimentos, aos poucos, mas conseguindo.”
Juliane também faz fisioterapia diariamente e tem retomado movimentos aos poucos. Mas ela ainda deve passar por procedimentos caros e demorados e provavelmente não conseguirá retornar às atividades profissionais antes de um ano.
Ainda assim, Juliane declarou que pretende voltar a advogar e vai continuar estudando.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Entrevista: advogada se equilibrou entre a vida e a morte para salvar a mãe e o primo
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
PRAZER, RENATA
O podcast ‘Prazer, Renata’ está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o ‘Prazer, Renata’ na sua plataforma preferida.Técnico que ajudou em resgate se emociona ao reencontrar advogada e a mãe dela
O Fantástico acompanhou o reencontro entre a advogada que sobreviveu a incêndio em um prédio no Paraná e o técnico que ajudou no resgate. O encontro aconteceu meses depois do acidente, quando Juliane já estava em fase de recuperação.
Emocionado, Lincoln pediu desculpas por não ter conseguido salvá-la naquele momento. Veja no vídeo acima.
“Eu tentei pegar você […] Desculpa por não ter pegado você”, disse.
Juliane agradeceu e destacou a importância da atitude do técnico.
“Imagina, muito obrigada. Você salvou a minha mãe”.
Um dos momentos mais marcantes do incêndio foi a conversa entre Juliane, que estava sobre o suporte do ar-condicionado, e Lincoln, que se posicionou na janela do apartamento do andar de baixo, com o corpo para fora, tentando ajudá-la. Juntos, eles conseguiram salvar a vida de Sueli.
“Muito obrigada. Eu devo a minha vida a ele e a minha filha. Porque pra mim a gente ia morrer queimado ali”, afirma Sueli.
Advogada que sobreviveu a incêndio com queimaduras em 63% do corpo fala sobre recuperação e próximos passos
Técnico que ajudou em resgate reencontra advogada após incêndio
Reprodução/TV Globo
O resgate da família
A advogada conta que recorda de todos os momentos daquele 15 de outubro, inclusive de ter acordado com os gritos do primo Pietro, de 4 anos, que já avisava do fogo.
As chamas começaram na cozinha e se espalharam pelo imóvel, que ficava no 13º andar do prédio. Além de Juliane e do primo, a mãe da advogada, Sueli, também estava no imóvel.
“Quando eu saí do quarto, eu já vi que tinha um fogo grande. O Pietro estava do outro lado do fogo, peguei ele no colo, tentei sair pela única saída, a saída principal, mas ela estava trancada”, ela lembra.
Impossibilitada de sair pela porta, Juliane subiu no suporte de ar-condicionado do apartamento e colocou o primo na janela do apartamento de baixo. “Falei para ele: ‘fica quietinho e segura na redinha [de proteção].’ E assim ele obedeceu. E, por obra divina, a moradora do apartamento resolveu abrir a janela.”
A moradora do apartamento do andar de baixo era Seliane, que havia saído de casa, mas voltou para pegar uma bolsa. Num impulso, ela decidiu abrir a janela. “u abro a janela não sei por quê, não consigo explicar por quê. E a criança estava aqui, toda escura, cheia de fumaça.”
O técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e o pedreiro Tiago Gomes, que estavam fora do prédio, correram para ajudar no resgate e salvaram Sueli.
Juliane diz que a mãe chegou a pensar que iria morrer, ao que ela respondeu: “Pula que eu te seguro”. A advogada conseguiu segurar Sueli por um tempo, até finalmente conseguir direcioná-la para um dos homens que ajudavam do lado de fora.
Juliane também tentou descer pelo suporte do ar-condicionado, mas não tinha apoio. Ela foi puxada de volta para o apartamento por um bombeiro. Na tentativa de sair do imóvel, Juliane e o sargento Ademar de Souza Migliorini foram atingidos pelas chamas. Ele chegou a ter queimaduras de terceiro grau e ficou internado por 5 dias.
O resgate da família
Reprodução/TV Globo
Tratamento e reabilitação
Juliane foi atendida na rede pública: primeiro em Cascavel e depois em Londrina, para onde foi levada de helicóptero em estado grave.
No Hospital Universitário de Londrina, ela ficou três meses na UTI. O hospital tem um centro com mais de 100 profissionais especializados e 16 vagas para pacientes. O caso de Juliane foi descrito como um dos mais complexos da história da unidade.
A cirurgiã plástica Xenia Tavares disse que a advogada chegou com queimaduras extensas, principalmente nos membros inferiores, e que a equipe precisou planejar como obter pele suficiente para os procedimentos.
Juliane passou por quase 20 procedimentos cirúrgicos, incluindo enxertos, transplante de pele e raspagem. Ela ficou mais de um mês em coma induzido, mas com apoio da equipe médica, passou a se recuperar.
Mas, mesmo após a alta, o tratamento continua. E os desafios, também.
“[Minha pele] Coça, está muito calor, eu preciso tomar mais de um banho, dois banhos, às vezes por dia. E é difícil porque eu só tomo banho com o auxílio da minha mãe, por hora, mas com as minhas fisioterapias diárias eu estou retomando os meus movimentos, aos poucos, mas conseguindo.”
Juliane também faz fisioterapia diariamente e tem retomado movimentos aos poucos. Mas ela ainda deve passar por procedimentos caros e demorados e provavelmente não conseguirá retornar às atividades profissionais antes de um ano.
Ainda assim, Juliane declarou que pretende voltar a advogar e vai continuar estudando.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Entrevista: advogada se equilibrou entre a vida e a morte para salvar a mãe e o primo
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